Amêndoa de Martim Tirado

Já há alguns anos que apanhamos amêndoa no nosso humilde amendoal mas só recentemente nos apercebemos que em Martim Tirado existem muitas variedades de amêndoa e que o nosso amendoal não é monovarietal. Uma das variedades quinteiras é bastante conhecida e apreciada, não tanto pelo seu sabor mas antes pela facilidade em ser partida: a molar. A sua casca mole torna-a uma favorita quando é vendida em casca, e uma das marcas distintivas é a sua crista. Nenhuma das nossas amendoeiras é molar.

Molar

A Clementina já nos falara também da casa nova, que representa grande parte da nossa produção. É de todas a que tem a casca mais perfeita, mais próxima da imagem que se associa às amêndoas. Essa casca é comprovadamente mais dura que as outras. O miolo é dos maiores, e a sua doçura destaca-o da concorrência.

Casa nova

Outra das estrelas da companhia é a raposa. Temos menos produção desta variedade, que se distingue em casca pela crista (semelhante à da molar) e por ser ligeiramente mais fácil de partir que a casa nova.

Raposa

A terceira das nossas amêndoas, que até pode ter uma única árvore, ainda não tem nome. A Clementina separou-a das outras, mas não soube dizer como se chamava. É grande em casca e tem uma ligeira curva. Sem podermos generalizar, o miolo que testámos era enrugado, o que o diferencia dos outros miolos.

Por nomear

Por último falta referir a miguela, que nos disseram ser "a favorita dos javalis". Se puderem escolher, comem primeiro esta, e nem o facto de ter casca dura os trava. É mais pequena e mais curva que a anterior, e o miolo (pelos menos desta amostra) é também mais pequeno. Não temos amendoeiras desta variedade.

Miguela

A maior parte das nossas amendoeiras têm mais de setenta anos. Produzem pouco, as variedades que produzem têm casca dura, o que as torna difíceis de vender. Achamos, no entanto, que é do interesse da região a manutenção e valorização destas variedades tradicionais, com caraterísticas diferentes das variedades mais modernas e que contam uma parte da história da região. Aqui fica o resumo da nossa pequena experiência, sobre uma foto e ideia do Hugo Borralho. Aqui está o resto das fotos, tiradas por ele.

Percursos Pedestres em Torre de Moncorvo

Depois da belíssima caminhada de ontem, descobrimos a página moncorvense relativa aos percursos pedestres no concelho:



Esta ainda será a primeira versão da página, sujeita a melhorias, mas é uma franca evolução. Fica só a faltar a Rota dos Moinhos / Trilho dos Moleiros, que virá certamente a seguir.

Preçário 2017

Este é o preçário para o ano de 2017. Mantivemos os preços do ano passado e alargámos a época baixa, o que significa na realidade uma redução de preços. 

Martim Tirado é uma terra bonita durante todo o ano mas aconselhamos o outono e a primavera como épocas preferenciais.


Primeira incursão pelo Trilho dos Moleiros

Foi numa fresca manhã de setembro que descemos às ribeiras de Martim Tirado. Fresca pela hora madrugadora, porque o dia seria de calor. A Fidalga, como não podia deixar de ser, guiou-nos pelo percurso.

A Portela pela manhã. Foto da Winkie Moon.

Fruto duma feliz associação entre as gentes da aldeia e o poder local, percebemos ao longo dos últimos meses que avançava a construção de um percurso pedestre dentro da aldeia de Martim Tirado. O percurso era bastante óbvio e já tinha sido por nós tentado: ligar a cota alta à cota baixa da aldeia, estabelecendo um percurso circular pelos vales dos afluentes da ribeira de Mosteiro (que desagua no Douro junto a Barca d'Alva)

As ribeiras eram a fonte de água da aldeia e onde se cultivavam hortas e se mantinham alguns pomares.  Por todas as ribeiras existiam moinhos (os de Martim Tirado eram especialmente afamados por se manterem em funcionamento verão fora) e, onde não era possível o cultivo, os trilhos que existiam eram apenas utilizados pelos moleiros ou pelos pastores. É essa a razão de ser do nome do percurso: Trilho dos Moleiros.

Um percurso com a mesma ideia (mas uma escala mais modesta) estava já disponível na nossa página para quem o quisesse percorrer. Chamei-lhe Fonte da Saúde.

O Trilho dos Moleiros, o novo percurso na aldeia, tem um início semelhante a este. Tomando a Quinta dos Baldo como início, e no sentido dos ponteiros do relógio, percorremos a estrada até à Portela, onde se encontra a bela casa do Avelino, uma das poucas da aldeia com dois pisos. Em frente a esta encontram-se as escolas, a antiga e a nova.

A casa do Avelino. Foto da Winkie Moon.

Continuámos pelo asfalto até à Eira do Incenso, onde mora grande parte dos habitantes da aldeia. Depois do depósito de água e antes do tanque virámos à direita. Entre as casas procurámos um estreito caminho. É por este caminho, entre campos e amendoais e belos muros antigos, que começámos a descida às ribeiras. À direita, mais acima, ainda vemos as escolas, por onde passámos antes. É a partir daqui que entrámos num caminho franco, em terra batida, que nos levará durante os próximos quilómetros.

O caminho até à Fonte da Saúde segue sem grande história. O vale é aberto, a descida faz-se bem e apenas as formações rochosas do lado direito nos chamam a atenção.

Xistos recurvados.

Ao chegarmos à Fonte da Saúde encontrámos o primeiro curso de água digno desse nome, a ribeira da Saúde. Encontrámos também a tia Isaltina, que lá tem uma horta alugada.

Conversa de horta. Foto da Winkie Moon.

É na fonte da Saúde que os caminhos se separam. Enquanto que o nosso percursozinho seguia pelo vale da ribeira da Saúde, em meia encosta, até encontrar as casas do Canto e logo a seguir a Quinta dos Baldo, o Trilho dos Moleiros segue em linha reta, encosta acima. Já uma vez tentámos este percurso, mas a inexistência de caminhos abertos pelas ribeiras impossibilitou-o.

Encosta acima seguimos na direção da Eira das Vacas, cujas casas abandonadas dominam um pequeno planalto. É tempo de voltar às ribeiras.

Até chegarmos à ribeira de Freixo (da qual a ribeira da Saúde é afluente) o percurso é feito em meia encosta, que já terá ardido por várias vezes e com pouca vegetação. É daqui para a frente, depois da barragem da Ferradosa, que o percurso se torna deveras interessante.

Ainda na Ribeira da Saúde. Foto da Winkie Moon.

É quando mergulhámos (metaforicamente e literalmente) nas ribeiras que nos apercebemos da riqueza que ali está escondida. Enquadrada por encostas abruptas e desnudadas está uma galeria ripícola fresca e rica, à espera que os montes recuperem a sua floresta nativa para que façam de novo parte dum mosaico florestal como o que existiu antes da presença humana. Esta "floresta linear" tem freixos, choupos e amieiros, mas também pilriteiros e sabugueiros. Os pilriteiros, esses, são dignos de visita, por ascenderem a dimensões invulgares.

Um dos pilriteiros de grande escala.

O correr das águas atrai pássaros e libelinhas e todas as outras formas de vida que não vimos mas adivinhamos. Num sítio tão pouco percorrido as espécies mais ariscas da nossa fauna fazem a sua vida sem perturbação, e são estes abrigos da natureza que garantem a sua presença no território.

Jacuzzi natural. Foto do Hugo Borralho.

Por todo o caminho encontram-se também inúmeros moinhos, e muitos deles mantêm ainda as paredes e os mecanismos de moagem. Um deles preserva ainda os caneiros que conduziam a água das levadas para o interior dos moinhos e mesmo um tubo gigante de granito que aumentava ainda mais a pressão da água para que as mós moessem ainda mais rápido.

Os incríveis caneiros, ainda em bom estado.

Pela Raivosa até ao Mixordo fomos encontrando algumas cascatas de ação humana que puxam ao mergulho. Uma delas tem mesmo uma pequena ponte e um espaço aberto junto a um moinho, que convida a um piquenique e a um tempo bem passado com os amigos.

Perfeito para piqueniques.

Também notáveis e dignas de visita são as formações rochosas que consistem na ação da gravidade no xisto, o que lhe dá uma forma torcida. Estas formações são apenas visíveis pela erosão causada pelas ribeiras, que tem o seu clímax mais a jusante, antes da foz da ribeira de Mosteiro, junto a Barca d'Alva. Algumas das formações parecem quase entradas de cavernas.

O que haverá do outro lado? Foto da Winkie Moon.

Como exploradores. Foto do Hugo Borralho.

O regresso à Casa é o ponto mais desfavorável do percurso. Desde o Mixordo até à Casa é sempre a subir, a sombra é escassa e a paisagem tem menos estória.

Em resumo, este é um percurso de cerca de 10 km que percorremos em 6 horas. Pode ser percorrido em menos tempo, mas são tantas as razões para parar que não o aconselhamos. Apesar de nas ribeiras a sombra ser muita há uma parte boa do percurso que é feita a descoberto, pelo que se recomendam alturas do ano mais frescas ou, se lá estiverem no verão, que comecem cedo. Desta vez fizemo-lo no sentido dos ponteiros do relógio, por isso guardamos para a próxima caminhada a certeza de qual o melhor sentido para o percurso.

Postal instantâneo.

O percurso ainda não está marcado nem existe ainda qualquer material informativo ou de divulgação. Esperam-se novidades para os próximos tempos. Até lá, fica o gpx e o kml do percurso para quem o quiser percorrer. Em baixo está o percurso no OpenStreetMap, ainda com alguns erros:


Aqui estão as fotos do percurso, tiradas por mim e pelos demais convivas.

Foto do Hugo Borralho.

Preçário 2016

Este é o nosso preçário para 2016. Como prometido os preços mantêm-se, e apenas fizemos um ajustamento na definição de época alta / época baixa. Estamos abertos o ano inteiro. As alturas com um clima mais ameno são a primavera e o outono, mas Martim Tirado é bonito o ano inteiro.


Agora o Público

No espaço de um mês e pouco Martim Tirado foi referida nos dois jornais de referência em Portugal. Primeiro no Expresso, realçando a belíssima qualidade do nosso céu; depois no Público, com o trabalho feito pelo Arquivo de Memória na aldeia. A Isaltina e a Elisa, com todo o mérito, estão destacadas.